Deputado federal Tiririca é acusado de assédio sexual por ex-empregada
4 julho, 2017
Em depoimento a policiais civis, a mulher disse que os casos ocorreram no ano passado, durante viagens que ela fez com a família
Uma ex-funcionária do deputado federal Tiririca (PR-SP) acusa o parlamentar de assédio sexual. A denúncia foi feita pela empregada doméstica em um processo trabalhista e reafirmada por ela à Polícia Civil do DF depois que a esposa de Tiririca registrou uma ocorrência de extorsão contra a mulher. Por se tratar de fato envolvendo parlamentar, com prerrogativa de foro, o caso foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A petição, a qual o Metrópoles teve acesso, foi distribuída na última quarta-feira (28/6) ao ministro Celso de Mello, que ficará encarregado de dar andamento ao processo.
De acordo com Maria Lúcia Gonçalves Freitas de Lima, Tiririca — nome artístico de Francisco Everardo Oliveira Silva — teria praticado o assédio em pelo menos duas ocasiões, em São Paulo e em Fortaleza, no ano passado. Em depoimento aos policiais da 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), no dia 20 de junho deste ano, Maria Lúcia narrou os episódios.
Segundo o relato, a primeira investida ocorreu durante uma viagem com o casal e a filha deles para São Paulo em 24 de maio do ano passado, onde o deputado participaria de uma entrevista no Programa do Jô. Eles teriam ficado no apartamento do parlamentar. No dia seguinte, ao voltar da gravação do programa, Tiririca, “exalando odor etílico”, segundo Maria Lúcia, teria começado o assédio. Segundo Maria Lúcia, provas contra o deputado foram destruídas pelo próprio parlamentar durante um passeio na praia, quando Tiririca teria pedido o celular dela emprestado. “Ao subir em uma lancha, [o deputado] caiu no mar com o celular. A depoente acredita que ele tenha feito isso de propósito, pois no celular havia um vídeo em que Francisco falava algumas besteiras para a declarante”, ainda em Fortaleza, a funcionária disse que foi procurada pela esposa de Tiririca, que teria dito que o deputado federal fazia aquilo “porque gostava dela”.
Procurada pela reportagem, Maria Lúcia confirmou a existência do processo, mas não quis se manifestar a respeito das acusações ao parlamentar. Os advogados dela não atenderam às ligações, mas, na petição enviada à Justiça trabalhista, José Orlando de Amorim afirma que a conduta de Tiririca “feriu de morte a liberdade sexual, a livre disposição sobre o próprio corpo e, sobretudo, a dignidade da ex-empregada doméstica da família, desenvolvendo nela [Maria Lúcia] sequelas de natureza psicológicas gravíssimas e, quiçá, incuráveis”.
Em contestação apresentada no processo, a defesa do deputado federal e de sua mulher, patrocinada por Fernando Albuquerque, nega todas as acusações. O advogado diz que Maria Lúcia tenta utilizar o estereótipo do “personagem Tiririca” para atribuir ao parlamentar os mesmos comportamentos na vida pessoal e privada
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